Learning is finding out what we already know. Doing is demonstrating that you know it. Teaching is reminding others that they know just as well as you. You are all learners, doers and teachers.

Richard Bach

sábado, 22 de maio de 2010

A chegar ao fim

Termino este e-portefólio com a certeza de que progredi, aperfeiçoei e aprofundei conhecimentos.
Sinto que participei activamente na construção de novos conhecimentos sobre diferentes ferramentas da WEB 2.0, e apesar de já valorizar a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação na minha prática pedagógica, agora faço-o com muito mais informação cientifica sobre a necessidade de implementar as TIC no dia-a-dia de um qualquer estabelecimento educativo.
Não nos podemos esquecer que é através desta implementação de diferentes recursos tecnológicos nas nossas salas de actividades, independentemente das faixas etárias que abrangem, que estamos a contribuir para reduzir a info-exclusão.
Numa sala de creche ou pré-escolar conseguimos sensibilizar os encarregados de educação, as auxiliares operacionais, as parcerias, os docentes e principalmente as crianças, para a utilização de tecnologias que são extremamente úteis para a prática pedagógica, que potenciam novos conhecimentos e novos skills a quem por ali passa todos os dias.
Infelizmente, nem todos os estabelecimentos educativos estão devidamente equipados com computadores e internet, mas esta não deve ser uma razão de desânimo muito pelo contrário, deve sim ser um incentivo para lutar por esses mesmos recursos, informando os decisores da importância das TIC para reduzir a info-exclusão desde as mais tenras idades.
O balanço que faço deste seminário é por isso bastante positivo. Sinto-me capaz de argumentar sobre questões educativas relacionadas com as tecnologias, de aperfeicoar a minha prática pedagógica e espero conseguir influenciar outros colaboradores da instituição a que pertenço.
O tempo não permitiu abordar todos os temas que gostaria ligados à tese que pretendo desenvolver contudo, todo o conhecimento que construí sobre as TIC e as ferramentas da WEB 2.0 permitem-me sentir segurança suficiente para prosseguir com a minha investigação, perdendo muito menos tempo nas pesquisas do que perderia há uns meses atrás.
Por fim gostaria de realçar o empenho do docente em desenvolver sessões para o doutorando "pôr as mãos na massa" seguindo uma linha construtivista, que nos obriga a redobrar os nossos esforços mas que tem resultados muito mais significativos e pessoais.
Os colegas do seminário foram outro ponto positivo. Demonstraram paciência, capacidade para partilhar e muito boa disposição.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A construção do meu conhecimento

Na linha que optámos para este e-portefólio do seminário de TRMEF, mais precisamente, a criatividade, as TIC e a importância de uma aprendizagem activa em que somos actores na construção do nosso conhecimento e contribuintes no conhecimento dos colegas do seminário, gostaríamos de mostrar uma possibilidade de avaliação desse mesmo percurso: Hands on.
O Hands on é um exemplo de trabalho construtivo e ao mesmo tempo auto-avaliativo das aprendizagens que efectuámos durante o seminário, ilustrado pela plataforma moodle.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da Pré-História do Conhecimento à sua Construção

Parte II

- O construtivismo no moodle em contexto escolar

Particularizando o paper do Dougiamas (1998) num contexto escolar especifico (Estabelecimento Integrado do Ministério da Segurança Social) e tentando perceber como seria com uma plataforma moodle, passaria a concretizar:
- Este estabelecimento é constituído por duas valências: creche e jardim-de-infância. Para cada uma das valências a plataforma moodle teria de ter algumas diferenças nas aplicações e funções.
- Para a valência de creche (com crianças dos 12 aos 36 meses) o moodle teria como principal função permitir uma interacção entre encarregados de educação, colaboradores do estabelecimento e parcerias. Esta interacção promoveria a troca de informações sobre as crianças, o desafio nos fóruns sobre temas propostos pelos diferentes intervenientes no processo educativo, que poderiam estar a ser abordados nas salas e nos respectivos projectos curriculares de turma, ou que suscitassem interesse a qualquer uma das partes. O registo fotográfico, de áudio e vídeo poderia ser também um recurso para partilhar as experiências de sala e das crianças.
- Na valência de jardim-de-infância o moodle alargaria um pouco as suas funções e recursos permitindo uma maior participação dos alunos tendo em conta as especificidades das faixas etárias (3 aos 6 anos) que abrange.
Consideramos que a faceta de interacção com os encarregados de educação e as parcerias deveria ser mantida, acrescentamos contudo, um alargamento dos fóruns às diferentes salas da valência, com temas que seriam propostos em grande grupo para discussão e a possibilidade de cada criança colocar posts, imagens, sons, nesta plataforma.
Ao basear o projecto curricular de turma, a prática pedagógica e a intencionalidade educativa em princípios construtivistas, de democracia e respeito mútuo, o trabalho na plataforma moodle tem mais probabilidades de sair reforçado e contribuir efectivamente para a construção activa do conhecimento, para a implementação eficiente das TIC em contextos escolares específicos, como é o caso da creche e do jardim-de-infância, externalizando os seus efeitos para as famílias e para as parcerias. A transparência e transcendência seriam objectivos comuns para alcançar em acções de investigação, colaboração e partilha.

Da Pré-História do Conhecimento à sua Construção

Parte I

“Allowing and creating opportunities for all to have a voice…”(Dougiamas, 1998).
Martin Dougiamas (1998) é o autor do texto que analisámos e que tentámos desconstruir para voltar a construir com base nas nossas experiências anteriores, nas nossas aprendizagens e conhecimentos já adquiridos, ou como escreveria Vygotsky citado por Martins e Mendes ( 1987) na nossa pré-história.
Neste paper são definidas as faces do construtivismo , nomeadamente:
- “Trivial constructivism” de autores como von Glasersfeld (1990)
-“Radical constructivism” de Hardy and Taylor ( 1997) ou von Glasersfeld (1990)
- “Social constructivism” de Vygotsky (1978), Cobb (1994) ou ainda Salomon e Perkins (1998)
- “Cultural constructivism” de Vosniadou (1996) e Salomon e Perkins (1998)
- “Critical constructivism” do autor Taylor (1996).
O conhecimento é, deste modo, entendido como um processo em construção, que não parte do zero e que não considera o aluno como uma “tábua rasa” mas sim como um indivíduo capaz de interpretar, de dialogar com os textos e com os outros, participando activamente na construção do seu conhecimento e do conhecimento daqueles com quem interage, numa situação de círculo hermenêutico segundo o qual o diálogo conduz o indivíduo a colocar questões, obter respostas e colocar novas questões, concretizando novas aprendizagens e mais conhecimento.
É preciso participar activamente na sociedade de informação e conhecimento, “ter voz” para agir crítica e criativamente em que o contributo de todos deve ser valorizado para que se sintam realmente parte de uma sociedade em constante mudança. Este parece-nos um princípio a seguir alicerçado numa filosofia de construtivismo.
O sistema educativo no papel da escola e dos seus respectivos intervenientes – professores, alunos e comunidade – têm o desafio acrescido de promover o diálogo e aprendizagens colectivas baseadas na mediação social, na auto-reflexão, na desconstrução e reconstrução de informações. O processo de ensino e aprendizagem deve conter nos seus princípios algo mais do que aulas descritivas ou expositivas, mas sim exigir um processo refinado de comunicação para aprendizagens efectivas e eficientes entre os seus elementos activos.
Ao considerar as experiências e sabedoria que cada indivíduo carrega consigo na sua bagagem de conhecimento estaremos a ter em conta que essa bagagem afecta a interpretação de quem a possui sobre tudo o que há-de surgir de novo. Parte-se da pré-história do aluno e, acrescentamos nós, do professor, para um processo de análise, investigação, partilha, colaboração e construção. O docente deve surgir aqui como promotor de aprendizagens colaborativas e recíprocas e como aprendiz dentro dessas mesmas aprendizagens.

A Criatividade, as TIC, o PTE e o Construtivismo

Possibilitar ao aluno, ao indivíduo oportunidades espaciais e temporais de activamente construir o seu conhecimento e efectuar as suas aprendizagens é uma das facetas do construtivismo. Na nossa linha orientadora, esta é a "gema que vai ajudar a unir toda a massa", ou seja é através desta possibilidade activa que o indivíduo tem de agir sobre si próprio que lhe permite ser criativo, critico e livre.
O hands-on de cada um em qualquer área de trabalho ajuda a desenvolver a criatividade e consequentemente, uma sociedade de conhecimento e de informação com cidadãos capazes de opinar e tomar decisões criativas.
A escola tem um papel primordial na integração do construtivismo nos currículos e nas práticas pedagógicas. As TIC e o Plano Tecnológico de Educação ajudam a investir nesta corrente pedagógica incitando, não só os professores a ter em conta a pré-história de cada aluno, mas também os alunos e docentes a agir sobre as novas tecnologias de informação e comunicação, o dito hands-on.
Não nos podemos esquecer da formação necessária para os utilizadores das TIC, uma vez que implementar sem formar poderá não ter efeitos muito positivos.
Uma das tarefas deste seminário era comentar, com breves palavras, um texto de outro doutorando sobre as TIC na Educação e Formação de Hoje. Optei pelo resumo da colega Fernanda Ledesma que aborda exactamente as questões da formação dos professores e que está relacionado, implicitamente, com o próximo tema deste blogue, o construtivismo.

Comentário ao resumo do relatório Study on Indicators of ICT in Primary and Secondary Education

O ano de 1980 surge como um marco de viragem para se investir e equipar as escolas com as novas tecnologias de informação e comunicação.
Estas iniciativas do Estado português surgem com a intenção de ajudar a desenvolver nos alunos competências que lhes sejam úteis num futuro próximo, inseridos numa sociedade de informação.
A entrada para a Comunidade Europeia permite a Portugal passar a estar inserido num espaço europeu de decisões. Assim sendo, as orientações educativas são então decididas em torno dos membros dessa comunidade, o que por si só modifica a possibilidade de tomada de decisão por parte de cada membro. Introduzem-se novos princípios como a necessidade de actualizar e equipar escolas, docentes e alunos com as TIC, ou a aprendizagem ao longo da vida.
Contudo, será suficiente equipar as escolas e dar possibilidade a todas as faixas etárias de estudantes em adquirir computadores pessoais se não existir um investimento na formação do público-alvo dessas medidas, de modo a interiorizarem as TIC como ferramentas úteis no processo de ensino/aprendizagem?
A formação dos docentes é um dos indicadores que nos poderão ajudar a avaliar o impacto das medidas tomadas e do uso das TIC em contexto educativo. Este poderá ser também um meio de transmitir aos docentes a possibilidade das TIC se utilizarem como uma ferramenta pedagógica, útil no trabalho autónomo e no processo educativo.
É impreterível que os docentes sejam construtores do seu conhecimento e como tal participantes activos na decisão das necessidades que sentem na sua prática pedagógica sobre a utilização das novas tecnologias de informação e educação. O Estado, representado pelo governo, deverá ter um papel de facilitador do acesso à formação, incentivando a frequência com medidas não elitistas e ao alcance de todos os membros da comunidade docente (por exemplo: aceitar as propostas dos docentes para as formações que necessitam nesta área; incentivar a sua frequência com a possibilidade de frequência em diferentes horários e sem custos adicionais para os docentes, sendo estes suportados pelo próprio Estado).
O cenário actual não corresponde ao panorama que delineei anteriormente, uma vez que as necessidades de formação contínua continuam a depender de decisões políticas, com orientações europeias ou não, condicionam o acesso dos docentes, não só através do horário de frequência como dos custos dessas mesmas formações, o que por sua vez não promove da melhor forma a aplicação das TIC em contexto educativo como uma poderosa ferramenta pedagógica capaz de ir ao encontro dos interesses dos alunos e ter o poder de modificar o processo de ensino/aprendizagem.

A construção do conhecimento tem de se generalizar a todas as partes interessadas no processo de ensino-aprendizagem, desde os docentes, aos alunos, aos auxiliares, encarregados de educação e até mesmo à comunidade envolvente com quem a escola como instituição tem relações indirecta ou directas.
Este é um bom ponto de partida para desenvolver sinergias com o intuito de alertar para a importância do Hands on a todos os parceiros, intervenientes e decisores com papel activo no processo de ensino e aprendizagem.

domingo, 16 de maio de 2010

PTE (cont.)

Uma breve apresentação sobre o PTE em powerpoint:

O Plano Tecnológico de Educação – e.escolinha

Uma das propostas de trabalho do percurso em TRMEF era reflectir e pesquisar sobre o Plano Tecnológico de Educação que o governo está a implementar nos diferentes níveis de ensino. Para esta reflexão escrevemos um pequeno texto centrando-nos na medida e.escolinha, que passamos a partilhar.

“Estamos moderadamente inovadores” afirma o primeiro-ministro José Sócrates no dia 17 de Março. O Estado português executa uma das orientações europeias respeitantes à inovação tecnológica, colocar Portugal, até 2010, entre os 5 países europeus mais avançados na implementação, apetrechamento e uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Numa sociedade de informação e de conhecimento, pretende-se que as TIC se tornem nas ferramentas-chave para tornar a economia mais competitiva e aumentar a coesão social.
Nesse sentido, um dos passos está a ser dado com o Plano Tecnológico de Educação (PTE) cujo principal objectivo passa por reduzir a info-exclusão, apetrechar as escolas com equipamentos e recursos tecnológicos, generalizando o uso das TIC nas práticas pedagógicas e influenciando algumas mudanças no processo de ensino-aprendizagem.
No entanto, a institucionalização de medidas tendentes à promoção do uso das TIC em contexto escolar começou muito antes da criação do PTE. Em 2000, no âmbito do PRODEP3, as escolas começaram a receber equipamento informático e acesso à internet. Em 2006, o balanço revela um número considerável de equipamentos (cerca de 100 mil computadores e material de apoio) distribuídos pelos estabelecimentos educativos do país e é também neste ano que as TIC vingam como uma disciplina obrigatória no currículo.
O PTE (com a apresentação pública em 2007) começa a materializar-se e para isso são definidos três eixos de acção: o tecnológico, o de conteúdos e o de formação, este último com um valor acrescido para os docentes, na medida em que pretende dotá-los de conhecimentos no uso das TIC de modo a conseguirem implementar mudanças efectivas no processo de ensino-aprendizagem e no dia-a-dia das práticas pedagógicas.
A definição destes três eixos de acção passa por não deixar nada ao acaso tornando-o parte do quotidiano dos utentes dos estabelecimentos educativos, seus colaboradores e comunidades envolventes.
O PTE engloba várias iniciativas dirigidas a diferentes faixas etárias e níveis de ensino. Entre eles encontramos o e.escola e o e-escolinha, este último objecto principal do presente resumo.
Com a iniciativa e.escolinha o Ministério da Educação pretende garantir o acesso às TIC aos alunos do 1º ciclo do ensino básico, atribuindo a cada estudante um computador pessoal (Magalhães). Em Setembro de 2008 iniciam-se as jornadas de trabalho para os docentes “À Descoberta do Magalhães” e a entrega dos primeiros computadores (Magalhães) aos alunos deste nível de ensino. Mais recentemente, no ano de 2009, a iniciativa e.escolinha e a atribuição de laptops, deixa de ser exclusiva para as escolas da rede pública do Ministério da Educação para chegar aos estabelecimentos da rede privada.
Os computadores Magalhães , emblema do e.escolinha, contêm dois sistemas operativos que permitem aos encarregados de educação controlar a sua utilização por parte da criança. A Comunidade Europeia avaliou o Magic Desktop como o melhor programa pedagógico que possibilita o controlo parental activo das tarefas e evolução das crianças.
O Estado consegue deste modo criar condições vantajosas de aquisição de equipamentos e acesso à internet, fomentando o trabalho colaborativo em rede.
Em simultâneo surgem projectos de trabalho que se fundamentam no PTE e nos seus princípios orientadores, como por exemplo, o Escolinhas ou o CBTIC@EB1 .
O Escolinhas é uma plataforma colaborativa e social para o ensino básico que integra blog, rede social privada, espaços colaborativos, entre outros. Pais, alunos e professores podem deste modo, activo, participar num trabalho colaborativo, de partilha e comunicação quer em contexto de sala de aula, quer em actividades extracurriculares, no recinto escolar ou fora dele.
O CBTIC@EB1 ou “Competências Básicas em TIC nas EB1”, é um projecto que parte de uma parceria entre o Ministério da Educação e Instituições do Ensino Superior (IES), do Norte ao Alentejo de Portugal continental. Este projecto pretende dar continuidade ao Programa Internet@EB1, e as IES comprometem-se a acompanhar as escolas EB1 dos seus distritos, no sentido de integrar no currículo a utilização dos computadores e da internet, mobilizando o uso de saberes culturais, científicos e tecnológicos. É também da responsabilidade das IES assegurar formação e acompanhamento pedagógico ao corpo docente das escolas EB1.
A implementação das TIC para fins pedagógicos com influência directa e expressa no currículo nacional do ensino básico possibilita alterações de fundo no processo de ensino e aprendizagem, mais e melhor aprendizagem dos alunos com a obtenção do Diploma de Competências Básicas em TIC pelos alunos que finalizam o 1º ciclo do ensino básico e um maior acompanhamento pedagógico e de formação para os docentes.
Após algum tempo de implementação das 176 medidas que emergem do Plano Tecnológico, surge a necessidade de desenvolver estudos de impacto para se efectuar uma avaliação, e um ponto da situação no que diz respeito à execução ou conclusão das referidas medidas, bem como definir recomendações para melhorar a aplicabilidade do Plano Tecnológico.
Particularizando, começamos no PTE e focamo-nos na iniciativa e.escolinha, mais concretamente no estudo de “Impacto do programa e.escolinha na escola e na família” , levado a cabo por João Filipe Matos e Neuza Pedro, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, apresentado recentemente no Seminário Internacional “O Plano Tecnológico de Educação – Avanços e Propostas” em Março de 2010.
Segundo este estudo, são mais de 470 000 as crianças do 1º ciclo do ensino básico e respectivas famílias que usufruem de um computador pessoal com acesso à internet. Os autores visaram compreender o impacto do programa nas práticas pedagógicas, nas dinâmicas de sala de aula e de escola, nas competências TIC que os alunos desenvolvem, a participação das famílias dos alunos nestes recursos tecnológicos e a relação sistémica entre escola e família.
Esta investigação transversal de carácter quantitativo e qualitativo propôs-se identificar alguns indicadores que permitam avaliar o programa e.escolinha nas seguintes áreas-chave:
i) O impacto na escola: nas suas dinâmicas e no sistema educativo;
ii) O impacto nos docentes: nas práticas pedagógicas, na possibilidade de inovação de metodologias e práticas, no processo de ensino e aprendizagem e na aquisição de novas competências TIC;
iii) O impacto nos alunos: na utilização das TIC nas actividades escolares, no processo de ensino e aprendizagem e na aquisição de novas competências TIC;
iiii) O impacto nas famílias ou encarregados de educação: as mudanças no sistema familiar, a utilização das TIC em contexto familiar, as possibilidades de interacção entre o computador pessoal, as crianças e a família e a aquisição de novas competências TIC.
“The Study of the impact of technology in primary schools” (STEPS) é um outro estudo de impacto que teve como referência 209 mil escolas do 1º ciclo do ensino básico de toda a comunidade europeia e que foi efectuado pela European Schoolnet e Empirica GmbH. Este estudo confirma que as estratégias que visam a implementação e uso das TIC no 1º ciclo do ensino básico aumentaram o acesso às TIC, a motivação de professores e alunos, bem como as suas competências neste domínio. E são também estas novas competências TIC que atribuem aos indivíduos capacidades de aprender ao longo da vida inseridos numa sociedade de informação e conhecimento, e que podem efectivamente modernizar as práticas de ensino-aprendizagem.
São ainda poucos os estudos a que temos acesso sobre a iniciativa e.escolinha, contudo, parece-nos adequado debruçarmo-nos sobre os resultados dos relatórios acerca do e.escola uma vez que da análise efectuada ressaltamos algumas características similares, tais como o facto de ambas se desenvolverem em contexto escolar e permitirem o acesso às TIC.
Por outro lado, identificamos algumas diferenças a saber: abrangerem faixas etárias e níveis de ensino diferentes (e.escolinha crianças entre os 6 e os 9 anos do 1º ciclo do ensino básico e o e.escola alunos a partir dos 9 anos, ou seja do 5º ano até ao secundário), os computadores pessoais também possuem características diferentes, adequadas obviamente, às faixas etárias e às exigências dos respectivos níveis de ensino.
No relatório técnico “Estudo sobre a adesão e o impacto das e.iniciativas. Relatório Final” de Dezembro de 2009, desenvolvido pela KPMG, que se refere às iniciativas, do e.escola, e.professor e e.oportunidades, a mobilidade e o custo reduzido de acesso ao computador pessoal e à internet são os principais factores de adesão a estas iniciativas. O referido estudo de impacto sublinha que estes factores promovem ainda uma maior regularidade de utilização de computadores e internet, e uma “externalização de efeitos sobre o agregado” dos alunos.
Estamos em crer que os resultados publicados no estudo de impacto das e.iniciativas poderá ser muito similar na iniciativa e.escolinha. Deste modo, parece-nos evidente que existem tendências de modificações nas seguintes vertentes: escola/docentes, alunos/escola e família/escola/alunos.
Na primeira vertente, escola/docentes, e suportando-nos de um outro relatório, de Condie e Munro (2007) The impact of ICT in schools – a landscape review, as conclusões parecem convergir nas modificações que se verificam na utilização das TIC por parte dos docentes. Nomeadamente, no planeamento de aulas e no trabalho administrativo. Revela ainda a necessidade de investir mais na formação em TIC para que se consiga efectivamente ter uma influência concreta no processo de ensino e aprendizagem e nas dinâmicas de sala de aula.
Na segunda vertente, alunos/escola, identificamos uma maior regularidade na utilização do computador pessoal e da internet nas actividades escolares e pessoais, o que por sua vez poderá pressupor a aquisição de novas competências TIC.
No que diz respeito à terceira vertente por nós definida, família/escola/alunos, a adesão às diferentes iniciativas do PTE parecem ter influência na articulação entre os sistemas familiares e escolares, promovendo a utilização dos laptops e da internet em casa, pelos alunos e restante agregado familiar. Esta é uma possibilidade de info-incluir e de “externalizar” intensificando a utilização das TIC no seio familiar. Sendo um meio de reduzir a info-exclusão e a “capacidade de democratização, potenciando adesões por parte de grupos sociais que estariam mais afastados e, porventura, impedidos por condicionalismos económicos de aceder a computadores ou dispor de acessos à internet.”
Mais recentemente surge o Horizon Report 2010 , que nomeia quais as tecnologias que podem influenciar o processo de ensino e aprendizagem. São identificadas algumas tendências, nomeadamente no que diz respeito à mobilidade dos recursos a que os alunos têm acesso, desde os telemóveis, aos Ipod ou netbooks, que atribuem uma nova característica e exigência ao processo de ensino e aprendizagem: a possibilidade de aprender, trabalhar ou ensinar a qualquer momento e em qualquer lugar.
A sociedade do conhecimento e da informação exige do cidadão uma alteração de papéis e de funções no seio dessa mesma sociedade. Com tantos recursos e redes sociais todos os cidadãos têm o poder de educar e de orientar, por isso as suas acções em rede desafiam-no e ao seu papel dentro da sociedade.
Segundo o Horizon Report de 2010 não é só o papel do cidadão que sofre alterações é também o papel da escola na preparação para a vida dos seus alunos. O trabalho colaborativo é pois uma demanda entre alunos, professores, departamentos, estabelecimentos educativos, comunidades e famílias.
“A literacia digital posiciona-se como uma competência chave em cada disciplina e profissão” , sublinha o relatório, considerando-a como um desafio numa conjectura economicista em todos os domínios da sociedade, de onde não estão excluídas as escolas.
Carlos Zorrinho, coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, na 8ª reunião do Conselho Consultivo do Plano Tecnológico , em Julho de 2009, afirmava, que o PTE “está a fazer das nossas escolas ambientes de aprendizagem de referência na modernidade e na inovação”.
Mas que impacto académico têm de facto as TIC nos alunos do século XXI?
Estarão as medidas do PTE, mais concretamente as iniciativas e.escolinha e e.escola a contribuir para uma aprendizagem ao longo da vida?
Estarão de facto, a escola e o próprio sistema educativo a sofrer algum tipo de modificações?
Em 2010, e segundo as informações disponibilizadas no site do PTE, a escola está agora mais completa e apetrechada com acesso à rede sem fios e a confirmação da atribuição de laptops a grande parte dos estudantes dos estabelecimentos educativos.
Contudo, o nível de exigência foi aumentando e constata-se que o número de computadores nas escolas é ainda insuficiente e os que existem estão a tornar-se obsoletos com a ligação à internet a ser classificada de vagarosa.
Verifica-se, de igual modo, a urgência em integrar as TIC em todas as áreas disciplinares e investir na formação focada neste domínio canalizando para os processos de ensino-aprendizagem.

As Tic e o Plano Tecnológico de Educação

Eis o objectivo: colocar Portugal, até 2010, entre os 5 países europeus mais avançados na implementação, apetrechamento e uso das Tecnologias de Informação e Comunicação.
Conseguiremos?

As TIC em Educação

Uma breve reflexão sobre:

AS TIC EM EDUCAÇÃO: ESTUDOS DE IMPACTO E O CURRICULO ESCOLAR (cont.)

Em Portugal temos a introdução em massa dos Magalhães no 1º ciclo do ensino básico, do Kidsmart nos jardins-de-infânciaTEIP e, nos níveis de ensino seguintes, a possibilidade de adquirir portáteis através do “e-escola”, “e-escolinha” ou “e-oportunidades”. Todas as faixas etárias são abrangidas por estes programas e o Estado pretende que os cidadãos estudantes não sejam info-excluídos em pleno século XXI, acreditando estar a investir na sociedade do futuro. Também na vizinha Espanha o Estado investiu milhões de euros em PC para as escolas, alunos e professores do país.
Quanto a nós, a questão que se coloca é se pelo facto de estarem a ser criados tantos programas, projectos de implementação das novas tecnologias de informação e comunicação em contexto escolar, se está realmente a surtir efeitos em todos os intervenientes do sistema educativo.
A necessidade que os Estados sentem de implementar e incentivar o uso das TIC na área educativa com a intenção de investir na sociedade do futuro origina, por si só, vários estudos de impacto sobre questões que envolvam as novas tecnologias de informação e comunicação.
O relatório sobre o impacto das TIC nas escolas do Reino Unido revela alguns indicadores de mudança no que diz respeito ao uso e implementação dessas mesmas tecnologias em contexto educativo. Referimo-nos, por exemplo:
- O número de computadores por estudante aumentou significativamente e para isso contribuíram os apoios do Estado;
- Verificou-se uma alteração de atitude por parte dos docentes, que transitou de cepticismo para um olhar optimista e de confiança a favor da utilização das TIC nas escolas;
- A integração das TIC em sala de aula verifica-se de facto, principalmente através da utilização dos quadros interactivos, da internet e dos portáteis;
- Também se verifica a utilização das TIC pelos docentes como um suporte administrativo, de planeamento e preparação de aulas;
- As TIC têm tido um impacto muito positivo quando são utilizadas com alunos com necessidade educativas especiais.
Este relatório integra estudos de impacto sobre o processo de ensino/aprendizagem na sala de aula sublinhando que as TIC podem ser um suporte para a criatividade, criticidade e resolução de problemas.
Confirma-se ainda que as tecnologias visuais originam uma maior motivação e independência na aprendizagem por parte do aluno. A fotografia ou o vídeo digital são consideradas um factor de impacto em diferentes áreas disciplinares, desde a literacia à matemática, passando pela geografia ou a arte.
Segundo este relatório, é mais visível o impacto de tecnologias específicas no processo de ensino/aprendizagem, como por exemplo os quadros interactivos, provavelmente, por serem mais comuns nas escolas e terem o apoio do Estado, sendo por isso alvo de vários estudos. São os referidos estudos que realçam o poder das animações e simulações que se podem efectuar com esta tecnologia e fomentam uma maior motivação dos alunos e professores facilitando o desenvolvimento de conceitos abstractos por parte dos alunos.
O Impact Study of ICT in schools sublinha a importância das tecnologias móveis, não só porque estão ao alcance da maior parte, se não de todos os alunos, mas também porque são mais atractivas, focam a comunicação e podem recrutar os alunos mais difíceis ou com especificidades culturais ou familiares, e que por isso tenham dificuldades de se deslocar à escola.
O relatório nomeia outros factores de impacto, mais precisamente:
1) O impacto das TIC em grupos específicos de alunos, como as crianças com necessidades educativas especiais (NEE). As tecnologias funcionam como um suporte individual, intensivo e adaptativo, sendo deste modo possível responder com mais especificidade às necessidades dos alunos, personalizando a aprendizagem, atribuindo-lhe características mais flexíveis, através do e-learning, modificando a dinâmica da relação entre professor e aluno, e minimizando o hiato entre escola/famílias.
2) O impacto das TIC na administração e gestão de trabalho, através de repositórios, recursos de aprendizagem, tarefas administrativas, relatórios para as famílias, etc..
3) O impacto sobre a comunicação com as famílias e restante comunidade, através da informação e promoção de atitudes colaborativas entre os pais e a escola, bem como a abertura a outras comunidades.
“Using ICT effectively in schools is about more than changing resources; it is about changing practices and culture.” (p. 8)
O segundo artigo é um estudo efectuado no 1º ciclo do ensino básico sobre As TIC no Currículo Escolar, e sublinha que o computador é uma ferramenta multifuncional que possibilita ambientes educativos mais enriquecedores desde que integrados nas actividades lectivas. A autora nomeia alguns programas desenvolvidos e dinamizados pelo Estado, como por exemplo, o Minerva, o Nónio, Programa Internet na Escola ou o Plano Tecnológico da Educação. O objectivo destes programas é apetrechar as escolas com equipamento informático e promover a utilização das TIC em contexto educativo.
O uso eficaz das TIC nas escolas pelos professores e alunos poderá ser uma imposição da sociedade digital, mas estará a escola preparada para este desafio?
Em suma, os textos escolhidos tocam em pontos comuns, como por exemplo:
a) As TIC podem ser pedagogicamente mobilizadas e utilizadas no processo educativo;
b) Existe uma necessidade de reduzir o hiato entre escola/ família e TIC/ currículo escolar;
c) É preciso ter presente que todos os alunos devem ter acesso às mesmas oportunidades;
d) Não basta que os alunos estejam ligados a um computador ou à internet se não tiverem como suporte um mediador e facilitador de aprendizagens, aqui no papel do docente;
e) O aluno é construtor do seu conhecimento e actor activo na sua aprendizagem.

AS TIC EM EDUCAÇÃO: ESTUDOS DE IMPACTO E O CURRICULO ESCOLAR

Por toda a Europa encontram-se novos projectos dinamizados pelos Estados no sentido de promover uma maior utilização das novas tecnologias de informação nas escolas, desde o pré-escolar até ao ensino superior.
Contudo, num tal contexto será suficiente este tipo de utilização e integração nas salas de aula de modo a reduzir o hiato entre TIC e currículo escolar, entre as famílias dos alunos e a escola? Será que todos os alunos têm as mesmas oportunidades? Saberão os docentes aproveitar a sabedoria dos alunos no que diz respeito às TIC?
O papel do docente deve sem dúvida, ser o de mediador, suporte e facilitador, para isso é importante que tenha capacidade de auto-avaliar as suas necessidades de formação no âmbito das TIC, ser também um agente activo na construção do seu conhecimento, tal como o promove junto dos seus alunos.
A eficácia da integração e utilização das TIC em contexto educativo não será conseguida apenas pela atribuição/aquisição de portáteis para os alunos e docentes, é preciso que sejam efectivamente um complemento às práticas pedagógicas, extensivas ao contexto familiar (através de informação aos encarregados de educação, de trabalho colaborativo com as famílias e a escola) e ser-se criativo na utilização das mesmas. Ou seja, é preciso conhecer todas as potencialidades das TIC e com criatividade aplicá-las nas práticas pedagógicas alterando o processo educativo, a relação de ensino/aprendizagem entre alunos, professores e instituições.
Criar plataformas de aprendizagem com o suporte digital, abrir a escola a outras instituições, à comunidade (restrita e alargada), ao mundo, recorrendo aos diversos suportes informáticos e de comunicação de forma criativa (por exemplo, o recurso às tecnologias móveis a que todos têm acesso será uma forma de reduzir a infoexclusão), reforçando uma atitude construtivista em que docentes e alunos são construtores de conhecimento, personalizar a dinâmica de ensino/aprendizagem e modificar a própria dinâmica das relações entre indivíduos, serão, com certeza os targets dos diferentes intervenientes e parceiros no processo educativo.
O uso eficaz das TIC nas escolas pelos professores e alunos poderá ser uma imposição da sociedade digital, mas estará a escola preparada para este desafio?

A Criatividade e as TIC

Cidadãos activos, participativos e criativos, com uma palavra a dizer sobre o que se passa no mundo, no seu país ou na sua rua deveria ser a pedra toque de qualquer sociedade. Inseridos numa sociedade do conhecimento e da informação, os cidadãos devem de ser info-incluídos no que à utilização das novas tecnologias de comunicação e informação diz respeito. A esta info-inclusão deveria estar associada a criatividade, não só na utilização das TIC no quotidiano e sua implementação em actividades diárias, mas também na necessidade de explorar criativamente as possibilidades que essa utilização pode permitir.
Parece-me um bom tema para reflectir nos próximos posts.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ainda a Criatividade em Educação

Um curtíssimo diapositivo sobre a criatividade e uma canção retirada de uma série televisiva do Disney Channel "Phineas e Ferb", que ilustra algumas das questões que temos debatido no âmbito do seminário de Tecnologias, Redes e Multimédia em Educação e Formação. A canção aborda o tema da criatividade na infância e o peso do sistema educativo sobre a liberdade de ser criativo.
O debate e os contributos dos participantes nesta primeira tarefa tocaram questões como a criatividade, o sistema educativo português, os programas, as práticas pedagógicas... um modo bem criativo de abordar e reflectir sobre estas questões.

Criatividade na Educação - Parte II

Ouvir Sir Ken Robinson falar sobre um tema como a Criatividade em Educação é no mínimo motivador para não desistir de trabalhar e abordar este tema no meu dia-a-dia, quer na minha prática pedagógica, quer nas minhas reflexões.

A frase de Picasso “Todas as crianças nascem artistas o problema é manterem-se artistas” é o símbolo da nossa sociedade e do que exige aos seus cidadãos e entidades. A escola pode contrariar o sentido da “não criatividade” mas para isso os seus parceiros e intervenientes precisam de ser também eles mais criativos e não temer essa mesma criatividade, promovendo aprendizagens que partam do interesse das crianças e das suas necessidades articulando-as com o programa que precisa de ser cumprido. É óbvio que este trabalho, que associa a criatividade ao prazer de ensinar e aprender, é um cúmulo de tarefas mas os resultados serão, com certeza, mais estimulantes e apreciados pelas partes envolvidas.

Sinto que no pré-escolar as crianças ainda têm um bom espaço de manobra para serem criativas e os seus contributos são considerados importantes para o seu desenvolvimento individual e colectivo. Contudo, com o ingresso na escolaridade obrigatória as crianças têm menos possibilidades de dar asas à sua criatividade sendo exigido que corresponda aos estereótipos que a própria sociedade define e que fazem parte do programa. É claro que existem excepções à regra e alguns docentes têm força e criatividade para contornar obstáculos que passam pela sua formação inicial, a sua história de vida, o programa, os colegas e até as famílias. É para esses que vai o meu apreço e que espero que tenham tido oportunidade de ouvir o Sir Ken Robinson para que não se sintam isolados e cansados de manter a criatividade presente nas salas de aula e os seus alunos felizes percebendo e compreendendo o porquê dessas mesmas aprendizagens, que ao fazer-lhes sentido terão um maior significado e por isso estarão realmente a aprender.

Após o visionamento do video de Sir Ken Robinson duas ideias fundamentais sobressaem: a primeira, que o autor concorda que a escola incentive a criatividade e a segunda que a escola não está preparada para a flexibilidade e as necessidades do aluno.
Em relação a estas duas ideias, que considero fundamentais, gostaria de fazer emergir alguns pontos que a meu ver se entrecruzam e me fazem reflectir sobre esta questão da criatividade.
O aluno modelo é aquele que se treina para ter atenção, memorizar e responder ao docente o que este quer ouvir. São vários os estudiosos, como por exemplo Susanne Mollo ou Gianni Rodari, que o referem mas não quero contudo criar aqui uma carta de intenções com o objectivo de penhorar o trabalho docente que se realiza no nosso país.
A “fantasia”, a “imaginação” e mais tarde a criatividade são questões de relevância abordadas ao longo dos anos por filósofos como Aristóteles, Kant ou Hegel.
Hegel chegou mesmo a diferenciar a fantasia, como criadora e associada aos artistas, da imaginação, reprodutora e algemada ao homem vulgar e trabalhador, referindo contudo que ambas são determinações da inteligência. Mas é com Vigotsky em 1972 que surge a criatividade como sendo necessária no quotidiano e comum a todos os seres humanos.
Ao brincar, a criança reelabora com criatividade as suas vivências quotidianas, e por isso a escola deveria ter aqui um papel primordial como promotor de um ambiente estimulante, desafiante possibilitando à criança o uso da sua criatividade em pleno e, em simultâneo, estar atento às necessidades e interesses de cada elemento para promover aprendizagens criativas, críticas e efectivas.
A criatividade tende a ser encarada como um comportamento divergente (talvez para alguns, os tempos estejam a mudar com a chegada aos meios televisivos de programas de entretenimento que são melhores impulsionadores para o mundo artístico do que a melhor das escolas de música ou dança e aí o reconhecimento é feito em directo e em plena praça pública) que se encaminha para o gabinete do psicólogo ou se atribui uma qualquer patologia porque é mais fácil de justificar.
Concordando com Ken Robinson é impreterível educar para a criatividade. A meu ver, esta é uma das esperanças para que possamos ter cidadãos mais activos (opinativos) e participativos na sociedade. Todas as áreas são possíveis de trabalhar com e para a criatividade, desde a política, mecânica, medicina. Por vezes só as mentes mais criativas conseguem reconhecer a patologia mais estranha, modificar a peça de um motor que não se poderia obter por um qualquer embargo económico e pôr um carro a funcionar.

A Criatividade em Educação



Será o nosso sistema educativo de tal forma abrangente ao ponto de conter nos seus programas, orientações e currículos um ponto tão importante da educação de qualquer ser humano? A sociedade está preparada para ter cidadãos criativos, opinativos?
Há já muito tempo que filósofos e estudiosos se debruçam sobre as questões da imaginação, da fantasia e da criatividade. Desde Aristóteles, passando por Descartes, Kant ou Hegel, todos eles pensaram e escreveram sobre este tema, o que só por si já revela a sua importância, contudo em pleno século XXI, muito pouca importância se atribui à criatividade em educação. As nossas crianças são educadas todas da mesma maneira, têm de ter todas o mesmo ritmo de aprendizagem e nada de criatividades que isso só as distrai.
O problema parece começar quando se ingressa no ensino obrigatório, talvez pela exigência do programa, talvez pela exigência da própria sociedade que considera comportamentos criativos como divergentes. Mas uma coisa a história tem vindo a demonstrar ciclicamente, são as pessoas criativas que têm grandes ideias e grandes feitos, para o bem e para o mal. Estou a referir-me por exemplo a Einstein, Beethoven, Leonardo da Vinci,…
É com Vigotsky no livro “Imaginação e Criatividade na Idade Infantil” de 1972, que se confirma o grande valor para o ser humano da criatividade, quando o autor refere que é comum a todos os seres humanos e necessário na vida quotidiana.