Parte I
“Allowing and creating opportunities for all to have a voice…”(Dougiamas, 1998).
Martin Dougiamas (1998) é o autor do texto que analisámos e que tentámos desconstruir para voltar a construir com base nas nossas experiências anteriores, nas nossas aprendizagens e conhecimentos já adquiridos, ou como escreveria Vygotsky citado por Martins e Mendes ( 1987) na nossa pré-história.
Neste paper são definidas as faces do construtivismo , nomeadamente:
- “Trivial constructivism” de autores como von Glasersfeld (1990)
-“Radical constructivism” de Hardy and Taylor ( 1997) ou von Glasersfeld (1990)
- “Social constructivism” de Vygotsky (1978), Cobb (1994) ou ainda Salomon e Perkins (1998)
- “Cultural constructivism” de Vosniadou (1996) e Salomon e Perkins (1998)
- “Critical constructivism” do autor Taylor (1996).
O conhecimento é, deste modo, entendido como um processo em construção, que não parte do zero e que não considera o aluno como uma “tábua rasa” mas sim como um indivíduo capaz de interpretar, de dialogar com os textos e com os outros, participando activamente na construção do seu conhecimento e do conhecimento daqueles com quem interage, numa situação de círculo hermenêutico segundo o qual o diálogo conduz o indivíduo a colocar questões, obter respostas e colocar novas questões, concretizando novas aprendizagens e mais conhecimento.
É preciso participar activamente na sociedade de informação e conhecimento, “ter voz” para agir crítica e criativamente em que o contributo de todos deve ser valorizado para que se sintam realmente parte de uma sociedade em constante mudança. Este parece-nos um princípio a seguir alicerçado numa filosofia de construtivismo.
O sistema educativo no papel da escola e dos seus respectivos intervenientes – professores, alunos e comunidade – têm o desafio acrescido de promover o diálogo e aprendizagens colectivas baseadas na mediação social, na auto-reflexão, na desconstrução e reconstrução de informações. O processo de ensino e aprendizagem deve conter nos seus princípios algo mais do que aulas descritivas ou expositivas, mas sim exigir um processo refinado de comunicação para aprendizagens efectivas e eficientes entre os seus elementos activos.
Ao considerar as experiências e sabedoria que cada indivíduo carrega consigo na sua bagagem de conhecimento estaremos a ter em conta que essa bagagem afecta a interpretação de quem a possui sobre tudo o que há-de surgir de novo. Parte-se da pré-história do aluno e, acrescentamos nós, do professor, para um processo de análise, investigação, partilha, colaboração e construção. O docente deve surgir aqui como promotor de aprendizagens colaborativas e recíprocas e como aprendiz dentro dessas mesmas aprendizagens.
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